Mercado de Biscoitos Massas e Grãos

Mercado de Biscoitos Massas e Grãos

A Indústria de Biscoitos no Brasil

Breve Descrição do Setor de Biscoitos no Brasil

Os biscoitos são segmentados em Recheados, Crackers e Água e Sal, Wafers, Maria e Maisena, Secos e Doces, Amanteigados, Salgados, Rosquinhas e outros. O Brasil ocupa a posição de 3º maior vendedor mundial de biscoitos com registro de 1.336,3 milhões de toneladas comercializadas em 2016, segundo os dados da ABIMAPI e Euromonitor. De acordo com dados da AC Nielsen no ano de 2016, o Sudeste foi responsável pelo maior volume de vendas de biscoitos no Brasil, cerca de 45,5%, já que possui a maior renda per capita do país e que o consumo destes produtos são fortemente influenciados pelo poder aquisitivo das famílias.

Em consumo per capita, atualmente o Brasil consome cerca de 8 kg por habitante ao ano, enquanto países como Argentina e Reino Unido consomem mais de 10 kg por habitante ao ano. A tabela abaixo mostra os últimos dados divulgados de consumo per capita de biscoitos:

Consumo per Capita de Biscoitos (2014)*
País Consumo per Capita (Kg/ano)
Argentina 12,44
Reino Unido 10,02
Itália 7,37
Estados Unidos 6,91
Brasil 6,05
Rússia 5,75
França 5,56
México 4,75
China 2,23
Índia 1,37
Fonte: ABIMAPI & Euromonitor
*Ainda não foram divulgados dados de 2015

Até o início do Plano Real (implementado em meados de 1994), o setor era caracterizado como sendo predominantemente de capital nacional e dirigido por empresas familiares. O setor passou por um acentuado crescimento, levando ao início de um processo de compra das empresas menores pelas grandes marcas internacionais. Em 2003, com o controle da Adria passando para a Companhia, a liderança do mercado brasileiro voltou a pertencer a uma empresa de capital nacional. Naquele ano, a Nestlé passou para o segundo lugar e, atualmente, possui participação de 8,7%, seguida por Marilan (8,2%), Mondelez (6,7%), Pepsico (6,5%) e Arcor (5,3%), enquanto a Companhia lidera o mercado, com 27,9%, de acordo com dados da AC Nielsen do ano de 2015. O restante do mercado encontra-se fragmentado entre um grande número de empresas.

Performance Recente do Setor de Biscoitos no Brasil

A ascensão social da população está incentivando o consumo de biscoitos, inclusive com maior valor agregado. Os biscoitos tidos como saudáveis também estão apresentando taxas de crescimento bastante expressivas, evidenciando uma oportunidade de expansão da produção.

A tabela abaixo mostra a participação de mercado dos competidores no setor de biscoitos nacional e o das regiões Nordeste e Sudeste do País para o período indicado, em termos de volume e faturamento:

Setor de Biscoitos
Participação de mercado em termos de Volume vendido
Brasil Nordeste Sudeste
M. Dias Branco 28,6% 60,7% 12,4%
Marilan 8,8% 4,9% 11,7%
Nestlé 7,9% 4,1% 9,8%
Pepsico 6,3% 2,4% 6,3%
Mondelez 5,8% 2,2% 7,8%
Bauducco 5,5% 2,2% 7,9%
Outros 37,1% 23,5% 44,1%
Fonte: AC Nielsen (Ano de 2016)

 

Setor de Biscoitos
Participação de mercado em termos de Faturamento
Brasil Nordeste Sudeste
M. Dias Branco 21,3% 53,1% 9,0%
Nestlé 10,1% 6,4% 11,4%
Mondelez 9,8% 5,4% 11,6%
Marilan 8,0% 5,2% 9,6%
Bauducco 7,4% 4,2% 9,4%
Piraque 6,8% 0,6% 12,9%
Outros 36,6% 25,1% 36,1%
Fonte: AC Nielsen (Ano de 2015)

Segundo a AC Nielsen, dados do ano de 2016, a região Sudeste é responsável pelo volume vendido de 45,5% dos biscoitos no País, a região Nordeste por 30,6%, a Sul por 14,5%, a Centro-Oeste por 8,1% e a região Norte por 1,2%.

A Indústria de Massas no Brasil

Breve Descrição do Setor de Massas no Brasil

O volume total de vendas de massas alimentícias no Brasil ficou em torno de 1 milhão de toneladas no ano de 2016, conforme Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados – ABIMAPI, ficando atrás da China (7,19 mil toneladas), da Indonésia (1,62 mil toneladas), Itália (1,52 mil toneladas), Estados Unidos (1,39 mil toneladas) e Rússia (1,15 mil toneladas), conforme tabela abaixo:

Venda Mundial de Massas 2016 (mil ton)
Países 2014 2015 2016
Mundo 63.808 63.971 64.030
1º China 7.356 7.297 7.191
2º Indonésia 1.563 1.591 1.621
3º Itália 1.501 1.513 1.528
4º Estados Unidos 1.405 1.378 1.393
5º Rússia 1.117 1.135 1.151
6º Brasil 1.025 1.025 1.024
7º Japão 942 949 952
8º Alemanha 714 718 721
9º França 558 559 564
10º Coreia do Sul 565 561 559
Fonte: ABIMAPI & Euromonitor

O processo produtivo das massas permite ao produtor de um tipo de massa produzir qualquer outro tipo, com apenas pequenas adaptações no processo produtivo e baixos investimentos. A flexibilidade da indústria na adaptação do processo produtivo com necessidade de baixos investimentos, permite ao produtor a oferta de uma grande variedade de massas alimentícias. Assim, a indústria de massas apresenta uma baixa barreira de entrada em termos de diversidade de produto.

A massa é um produto de baixo valor agregado, e o frete tem peso significativo em seu preço final, justificando, desta forma, o estabelecimento de núcleos regionais de produção, consumo e distribuição.

Com relação ao consumo de massas alimentícias, o Brasil figura como o terceiro maior consumidor de macarrão do mundo, atrás somente da Itália e dos Estados Unidos. No entanto, ao ser comparado o consumo per capita do alimento, a disparidade se torna evidente. O consumo per capita de macarrão do brasileiro chega a 6,02 kg por habitante. De acordo com a ABIMAPI – Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados, o que dificulta uma expansão maior do nível de consumo nacional é o fato de que o brasileiro vê as massas como um complemento e não como um prato principal. Além disso, o arroz é o maior concorrente da massa em função de se tratar de um carboidrato de preço mais baixo.

Desempenho Recente do Setor de Massas no Brasil

O processo de abertura econômica vivenciado pelo país, a partir dos anos 90, introduziu novos desafios no mercado brasileiro de bens de consumo e resultou em mudanças estruturais na indústria.
No setor de massas alimentícias, este processo assumiu contornos decisivos em termos de consolidação mercadológica e impulsionou as empresas a investir em tecnologia, equipamentos de última geração e capacitação de seus profissionais. O resultado destes investimentos é um parque industrial entre os mais modernos do mundo e perfeitamente apto a fornecer produtos de qualidade.

As massas alimentícias secas, no Brasil, são produzidas, em quase sua totalidade, a partir de trigo soft e estão segmentadas em: massa de sêmola com ovos, massa de sêmola, massa comum e massa tipo caseira.
A designação “macarrão” é popularmente utilizada, inclusive nas embalagens, como sinônimo de “massa alimentícia”. Há produção também de massas de grano duro, a partir de matéria prima totalmente importada e que representa 3,0% do volume total comercializado.

Muitas empresas do setor possuem processo integrado com moinho de trigo e, em geral, possuem um amplo portfólio com outros produtos derivados do trigo, como farinha, mistura para bolo, biscoitos, bolo pronto, etc. O macarrão instantâneo é um dos produtos oferecidos pelas empresas, com possibilidade de adequação de sabores ao mercado alvo.

As massas secas têm atualmente a maior representatividade do setor de massas alimentícias, com % do volume de venda de toda a categoria de massas em 2016, de acordo com dados da AC Nielsen.
Considerando os dados do ano de 2016, as vendas de massas secas subdividiram-se em: (i) 42,2% do tipo sêmola sem ovos; (ii) 33,2% sêmola com ovos; (iii) 19,7% do comum; (iv) 3,0% do grano duro; e (v) 1,9% do caseiro.

Até 1997, o mercado brasileiro de massas era bastante disperso, sendo que as duas principais representantes do setor, a então Adria Alimentos do Brasil (adquirida pela M Dias Branco em 2003) e a Santista Alimentos, detinham respectivamente 6,8% e 6,7% do consumo. Este setor se tornou mais concentrado com a intensificação das fusões e aquisições. Atualmente, mais da metade do mercado, em termos de volume vendido, é dominado por seis empresas: M. Dias Branco, Selmi, J. Macedo, Santa Amália, Vilma e Piraquê.
A tabela abaixo mostra a participação de mercado dos competidores no setor de massas alimentícias nacional e o das regiões Nordeste e Sudeste do País para o período indicado:

Setor de Massas
Participação de mercado em termos de Volume vendido
Brasil Nordeste Sudeste
M. Dias Branco 28,8% 59,2% 17,1%
Selmi 11,3% 2,6% 13,8%
J. Macedo 9,6% 11,1% 12,8%
Santa Amália 7,6% 0,6% 16,2%
Vilma 5,5% 2,1% 8,6%
Piraque 4,4% 0,3% 9,1%
Outros 32,8% 24,1% 20,8%
Fonte: AC Nielsen (Ano de 2016)

 

Setor de Massas
Participação de mercado em termos de Faturamento
Brasil Nordeste Sudeste
M. Dias Branco 26,0% 58,9% 15,1%
Selmi 12,7% 3,7% 14,9%
J. Macedo 9,4% 12,3% 12,0%
Santa Amália 8,3% 0,7% 16,6%
Vilma 5,1% 2,4% 8,1%
Barilla 4,8% 0,5% 7,1%
Outros 33,8% 21,9% 26,2%
Fonte: AC Nielsen (Ano de 2016)

Segundo dados da Nilsen e ABIMAPI, entre 2012 e 2016, os tipos de massas que mais cresceram foram as massas instantâneas e massas secas, com crescimento de 27,6% e 40,3%, respectivamente, em valor de vendas. O aumento das vendas decorreu da praticidade no preparo da refeição, atraindo o público infantil, jovem e adulto. Assim, as empresas aumentaram os investimentos no desenvolvimento de novos produtos de pratos prontos, como por exemplo, a comercialização de massa instantânea com sachê de molho pronto e as lasanhas pré-cozidas. Outro fator determinante para a expansão de novos investimentos na produção do macarrão instantâneo é a rentabilidade. De acordo com a ABIMAPI e AC Nilsen, no varejo, o quilo de massa seca comum custou em 2016, em média, R$ 4,75 e o instantâneo em torno de R$ 13,82 o quilo.

Segundo a AC Nielsen, dados do ano de 2016, a região Sudeste é responsável pelo volume vendido de 43,6% das massas no País, a região Nordeste por 29,8%, a Sul por 18,3% ,a Centro-Oeste por 7,1% e a Norte 1,3%.

A Indústria de Trigo e de Moagem de Trigo no Brasil

Breve Histórico da Indústria de Trigo e Moagem de Trigo no Brasil

Em 22 de novembro de 1990, entrou em vigor a Lei 8.096, que revogou o Decreto-Lei 210/1967. A Lei 8.096/90 declarou livres, em todo território nacional, a comercialização e a industrialização do trigo de qualquer procedência, liberando, como consequência, a comercialização e a industrialização do trigo no Brasil, sem os agentes econômicos estarem mais presos a limites, cotas e controles do governo, inclusive para a importação do grão. Em razão dessa mudança sensível, o setor passou por intensa transformação como resultado da abrupta desregulamentação e abertura ao comércio exterior, notadamente à Argentina, cujos custos de produção eram inferiores aos verificados no Brasil e, por consequência, produzia trigo a preços mais competitivos que o Brasil.

Aspectos mais Recentes da Indústria de Moagem de Trigo no Brasil

Atualmente, o Governo adota medidas intervencionistas direcionadas ao setor, seja por meio de Empréstimos do Governo Federal (EGF), da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), do Prêmio de Escoamento da Produção (PEP). Na prática, o PEP representa um subsídio nas duas pontas. Na do produtor, onde cobre a diferença entre o preço mínimo e o preço de mercado, e na das empresas, com o subsídio no transporte do trigo da região produtora até o moinho.

A produtividade da triticultura nacional, apesar de ter apresentado considerável evolução nos últimos anos ainda é baixa em relação aos principais produtores mundiais de trigo. As desvantagens envolvem condições climáticas desfavoráveis à cultura de inverno na maior parte do território nacional o que, associado às características do solo, influencia a qualidade do trigo brasileiro e/ou os custos de produção do grão.

Apesar do esforço do Estado em garantir a renda do produtor, os fornecedores, em especial a Argentina, conseguem desembarcar o grão a custos inferiores aos custos nacionais e/ou em padrões da qualidade superiores.

A tabela a seguir apresenta o consumo brasileiro de trigo nos últimos 4 períodos:

Produção, Importação e Consumo de Trigo no Brasil
Ano Produção Variação Importação Variação Consumo Variação
(Em Mil Toneladas – ano calendário, exceto porcentagens)
2012/2013 4.380 -24,5% 7.357 0,3% 10.900 -2,7%
2013/2014 5.300 21,0% 7.066 -4,0% 11.400 4,6%
2014/2015 6.000 13,2% 5.374 -23,9% 10.700 -6,1%
2015/2016 5.540 -7,7% 6.745 25,5% 11.100 3,7%

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA

A produção doméstica continua sendo insuficiente para suprir o consumo. Desta forma, o Brasil ainda é extremamente dependente da importação de trigo em grão, principalmente, da Argentina. A necessidade de importação imputa aos moinhos uma forte vulnerabilidade quanto às oscilações dos preços internacionais da commodity, que absorve a influência de fatores externos, inclusive movimentos especulativos. Atualmente, as importações correspondem a cerca de metade do consumo nacional.

Aspectos Gerais da Concorrência da Indústria de Moagem de Trigo

De acordo com o USDA (United States Department of Agriculture), a produção mundial estimada de trigo referente à safra 2016/2017 foi estimada em Março do ano corrente em 751,07 milhões de toneladas, quantidade 2,2% maior que as 735,25 milhões de toneladas obtidas em 2015/2016. Destacam-se como grandes produtores de trigo, a União Europeia, China, Índia, Rússia e Estados Unidos, sendo a União Europeia e a Rússia os maiores exportadores do mundo. O Brasil é classificado entre os 5 maiores importadores do mundo e, em 2016 a Argentina foi responsável em fornecer a maior parte da demanda de trigo importada
pelos moinhos brasileiros.

As tabelas abaixo mostram os maiores produtores, consumidores e exportadores mundiais de trigo, bem como a produção e consumo do Brasil e da Argentina:

Maiores Produtores Mundiais de Trigo
Ano União Europeia China Índia Estados Unidos Rússia Produção Mundial
(Em Mil Toneladas)
2012/13 133.949 121.023 94.882 61.298 37.720 658.600
2013/14 144.583 121.930 93.506 58.105 52.091 715.080
2014/15 156.912 126.208 95.850 55.147 59.080 727.978
2015/16 160.480 130.190 86.530 56.117 61.044 736.996

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA

Maiores Consumidores Mundiais de Trigo
Ano União Europeia China Índia Rússia Estados Unidos Consumo Mundial
(Em Mil Toneladas)
2012/13 119.250 125.000 83.824 33.550 37.768 679.015
2013/14 117.300 116.500 93.848 34.100 34.287 698.327
2014/15 124.677 116.500 93.130 35.500 31.554 704.908
2015/16 129.850 112.000 88.551 37.000 32.021 709.582

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA

Maiores Exportadores Mundiais de Trigo
Ano Estados Unidos União Europeia Canadá Rússia Austrália Exportação Mundial
(Em Mil Toneladas)
2012/13 27.544 22.786 18.953 11.308 18.647 138.063
2013/14 32.011 32.032 23.268 18.609 18.615 165.870
2014/15 23.518 35.455 24.164 22.800 16.590 164.154
2015/16 21.094 34.686 22.134 25.543 16.124 172.854

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA

Conforme dados da ABITRIGO em 2016 havia, no Brasil, 196 moinhos de trigo em atividade. Boa parte encontra-se concentrada nas regiões Sul e Sudeste do País (e, assim, próximas aos principais fornecedores da matéria-prima). Em 2016, a região Sul é a que detem o maior percentual de moagem de trigo (42,2%), seguida pela região Sudeste (24,5%) e pelas regiões Norte e Nordeste, (30,1%). O Centro Oeste é a região com menor participação, apenas 3,2%.

Perspectivas para a Indústria de Moagem de Trigo

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que a área plantada de trigo na safra 2015/16 apresenta uma redução de 11,2% em relação ao ano anterior, atingindo 2.448,8 mil hectares, resultando em uma diminuição de produção de 7,3% em relação ao ano anterior. A produção atingiu 5.534,9 mil toneladas, contra as 5.971,1 mil toneladas registradas no ano anterior. A previsão apontada em março de 2017 para 2016/2017 de área plantada já mostra-se inferior a apresentada no ano passado, sendo de 2.118,4 mil hectares, entretanto com aumento da produção prevista de 21,5% na produção, estimada em 6.726,8 mil toneladas.

O trigo brasileiro sofre concorrência dos subsídios concedidos pela União Europeia, Estados Unidos e Canadá. Na ausência de subsídios, o Brasil seria competitivo neste setor, pois apesar de sofrer com aspectos climáticos, que são menos favoráveis que o clima de outros países, e preços mais caros para alguns insumos, possui mão-de-obra relativamente barata e pode contar com duas safras anuais.

O consumo de trigo no Brasil tem crescido nos últimos anos em função do crescimento de renda da população e consequente aumento da demanda de alimentos. O gráfico abaixo demonstra a evolução do consumo de trigo no Brasil durante a última década.

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA
* Previsão de Março do USDA para a safra 2016/2017

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