Mercado de Biscoitos Massas e Grãos

Mercado de Biscoitos Massas e Grãos

A Indústria de Biscoitos no Brasil

Breve Descrição do Setor de Biscoitos no Brasil

Os biscoitos são segmentados em Recheados, Crackers e Água e Sal, Wafers, Maria e Maisena, Secos e Doces, Amanteigados, Salgados, Rosquinhas e outros. O Brasil ocupa a posição de 4º maior vendedor mundial de biscoitos com registro de 1.366 milhões de toneladas comercializadas em 2018, segundo os dados da ABIMAPI e Euromonitor. De acordo com dados da AC Nielsen no ano de 2018, o Sudeste foi responsável pelo maior volume de vendas de biscoitos no Brasil, cerca de 45,3%, já que possui a maior renda per capita do país e que o consumo destes produtos são fortemente influenciados pelo poder aquisitivo das famílias.

Até o início do Plano Real (implementado em meados de 1994), o setor era caracterizado como sendo predominantemente de capital nacional e dirigido por empresas familiares. O setor passou por um acentuado crescimento, levando ao início de um processo de compra das empresas menores pelas grandes marcas internacionais. Em 2003, com o controle da Adria passando para a Companhia, a liderança do mercado brasileiro voltou a pertencer a uma empresa de capital nacional. Atualmente, a Marilan encontra-se em segundo lugar com participação de 8,2%, a Nestlé ocupa o terceiro lugar com participação de 6,9%, e assim sucessivamente com Bauducco (6,8%), Pepsico (5,4%) e Mondelez (4,9%), enquanto que a M Dias Branco lidera o mercado com 34,0%, de acordo com dados da AC Nielsen do acumulado do ano de 2018.  O restante do mercado encontra-se fragmentado entre um grande número de empresas.

Performance Recente do Setor de Biscoitos no Brasil

A ascensão social da população está incentivando o consumo de biscoitos, inclusive com maior valor agregado. Os biscoitos tidos como saudáveis também estão apresentando taxas de crescimento bastante expressivas, evidenciando uma oportunidade de expansão da produção.

A tabela abaixo mostra a participação de mercado dos competidores no setor de biscoitos nacional e o das regiões Nordeste e Sudeste do País para o período indicado, em termos de volume e faturamento:

Setor de Biscoitos
Participação de mercado em termos de Volume vendido
Brasil Nordeste Sudeste
M. Dias Branco 34,0% 60,7% 22,4%
Marilan 8,2% 5,0% 10,8%
Nestlé 6,9% 2,9% 9,2%
Bauducco 6,8% 3,1% 9,4%
Pepsico 5,4% 1,6% 6,6%
Mondelez 4,9% 1,7% 6,6%
Bagley 4,7% 0,1% 9,3%
Outros 30,6% 24,9% 25,8%
Fonte: AC Nielsen ( Varejo + Cash Carry Ano de 2018)

 

Setor de Biscoitos
Participação de mercado em termos de Faturamento
Brasil Nordeste Sudeste
M. Dias Branco 30,1% 55,1% 22,5%
Nestlé 8,7% 4,6% 10,3%
Bauducco 8,7% 5,4% 10,6%
Mondelez 8,4% 4,3% 10,0%
Marilan 7,9% 5,5% 9,5%
Pepsico 5,8% 2,3% 6,5%
Bagley 4,8% 0,2% 8,4%
Outros 25,6% 22,6% 22,2%
Fonte: AC Nielsen (Varejo + Cash Carry: 2018)

Segundo a AC Nielsen, dados do ano de 2018, a região Sudeste é responsável pelo volume vendido de 45,3% dos biscoitos no País, a região Nordeste por 33,8%, a Sul por 12,2%, a Centro-Oeste por 7,5% e a região Norte por 1,1%.

Consumo de biscoitos

O mercado nacional de biscoitos tem demonstrado um comportamento relativamente linear. Em 2018, foi observada uma retração de 0,8%. Biscoitos recheados, secos/doces e salgados foram os segmentos que mostraram maior queda, enquanto rosquinhas e cookies avançaram.

O consumo de rosquinhas cresceu, em 2018, 13,6% em volume. Este crescimento fez com que o segmento ganhasse duas posições, tornando-se o 5º segmento mais relevante para o
mercado de biscoitos, ultrapassando os tipos salgados e wafer.

O segmento maria/maizena, também apresentou desempenho positivo, crescendo 0,8% no volume comercializado no ano. Dos cinco principais segmentos, apenas rosquinhas e maria/ maizena incrementaram volume no mercado de biscoitos quando comparado com o mesmo período de 2017.

A Indústria de Massas no Brasil

Breve Descrição do Setor de Massas no Brasil

O volume total de vendas de massas alimentícias no Brasil ficou em torno de 0,8 milhão de toneladas no ano de 2018, conforme Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães &Bolos Industrializados – ABIMAPI, ficando em 7º lugar no ranking global.

O processo produtivo das massas permite ao produtor de um tipo de massa produzir qualquer outro tipo, com apenas pequenas adaptações no processo produtivo e baixos investimentos. A flexibilidade da indústria na adaptação do processo produtivo com necessidade de baixos investimentos, permite ao produtor a oferta de uma grande variedade de massas alimentícias. Assim, a indústria de massas apresenta uma baixa barreira de entrada em termos de diversidade de produto.

A massa é um produto de baixo valor agregado, e o frete tem peso significativo em seu preço final, justificando, desta forma, o estabelecimento de núcleos regionais de produção, consumo e distribuição.

Desempenho Recente do Setor de Massas no Brasil

O processo de abertura econômica vivenciado pelo país, a partir dos anos 90, introduziu novos desafios no mercado brasileiro de bens de consumo e resultou em mudanças estruturais na indústria.

No setor de massas alimentícias, este processo assumiu contornos decisivos em termos de consolidação mercadológica e impulsionou as empresas a investir em tecnologia, equipamentos de última geração e capacitação de seus profissionais. O resultado destes investimentos é um parque industrial entre os mais modernos do mundo e perfeitamente apto a fornecer produtos de qualidade.

As massas alimentícias secas, no Brasil, são produzidas, em quase sua totalidade, a partir de trigo soft e estão segmentadas em: massa de sêmola com ovos, massa de sêmola, massa comum e massa tipo caseira. A designação “macarrão” é popularmente utilizada, inclusive nas embalagens, como sinônimo de “massa alimentícia”

Muitas empresas do setor possuem processo integrado com moinho de trigo e, em geral, possuem um amplo portfólio com outros produtos derivados do trigo, como farinha, mistura para bolo, biscoitos, bolo pronto, etc. O macarrão instantâneo é um dos produtos oferecidos pelas empresas, com possibilidade de adequação de sabores ao mercado alvo.

Até 1997, o mercado brasileiro de massas era bastante disperso, sendo que as duas principais representantes do setor, a então Adria Alimentos do Brasil (adquirida pela M Dias Branco em 2003) e a Santista Alimentos, detinham respectivamente 6,8% e 6,7% do consumo. Este setor se tornou mais concentrado com a intensificação das fusões e aquisições. Atualmente, mais da metade do mercado, em termos de volume vendido, é dominado por seis empresas: M. Dias Branco, Selmi, J. Macedo, Santa Amália, Vilma e Tondo.
A tabela abaixo mostra a participação de mercado dos competidores no setor de massas alimentícias nacional e o das regiões Nordeste e Sudeste do País para o período indicado:

Setor de Massas
Participação de mercado em termos de Volume vendido
Brasil Nordeste Sudeste
M. Dias Branco 36,0% 63,5% 28,2%
J. Macedo 12,5% 12,7% 16,7%
Selmi 8,6% 1,3% 10,4%
Santa Amália 7,0% 0,2% 14,7%
Vilma 4,9% 2,8% 8,4%
Tondo 3,1% 0,0% 3,4%
Outros 26,9% 19,5% 18,2%
Fonte: AC Nielsen (Ano de 2018)

 

Setor de Massas
Participação de mercado em termos de Faturamento
Brasil Nordeste Sudeste
M. Dias Branco 33,0% 62,5% 26,3%
J. Macedo 11,5% 13,1% 14,6%
Selmi 10,5% 2,2% 11,6%
Santa Amália 8,4% 0,3% 16,6%
Vilma 5,0% 3,3% 8,3%
Barilla 4,6% 0,6% 6,6%
Outros 27,0% 18,0% 16,0%
Fonte: AC Nielsen (Ano de 2018)

Segundo a AC Nielsen, dados do ano de 2018, a região Sudeste é responsável pelo volume vendido de 46,5% das massas no País, a região Nordeste por 31,8%, a Sul por 13,8% ,a Centro-Oeste por 6,3% e a Norte 1,7%.

Consumo de massas

Diferente da retração percebida no ano anterior, 2018 foi de recuperação e crescimento para a categoria. Para massas alimentícias, o crescimento foi puxado principalmente pelo segmento mais econômico: massas comuns, que cresceram 5,2% e já representam 26% de todo consumo de massas no Brasil. À exceção de sêmola, com retração de -1,1% em volume, os outros segmentos de massas alimentícias (+1,3%) e instantâneas (+3,9%) apresentaram crescimento.

A Indústria de Trigo e de Moagem de Trigo no Brasil

Breve Histórico da Indústria de Trigo e Moagem de Trigo no Brasil

Em 22 de novembro de 1990, entrou em vigor a Lei 8.096, que revogou o Decreto-Lei 210/1967. A Lei 8.096/90 declarou livres, em todo território nacional, a comercialização e a industrialização do trigo de qualquer procedência, liberando, como consequência, a comercialização e a industrialização do trigo no Brasil, sem os agentes econômicos estarem mais presos a limites, cotas e controles do governo, inclusive para a importação do grão. Em razão dessa mudança sensível, o setor passou por intensa transformação como resultado da abrupta desregulamentação e abertura ao comércio exterior, notadamente à Argentina, cujos custos de produção eram inferiores aos verificados no Brasil e, por consequência, produzia trigo a preços mais competitivos que o Brasil.

Aspectos mais Recentes da Indústria de Moagem de Trigo no Brasil

Atualmente, o Governo adota medidas intervencionistas direcionadas ao setor, seja por meio de Empréstimos do Governo Federal (EGF), da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), do Prêmio de Escoamento da Produção (PEP). Na prática, o PEP representa um subsídio nas duas pontas. Na do produtor, onde cobre a diferença entre o preço mínimo e o preço de mercado, e na das empresas, com o subsídio no transporte do trigo da região produtora até o moinho.

A produtividade da triticultura nacional, apesar de ter apresentado considerável evolução nos últimos anos ainda é baixa em relação aos principais produtores mundiais de trigo. As desvantagens envolvem condições climáticas desfavoráveis à cultura de inverno na maior parte do território nacional o que, associado às características do solo, influencia a qualidade do trigo brasileiro e/ou os custos de produção do grão.

Apesar do esforço do Estado em garantir a renda do produtor, os fornecedores, em especial a Argentina, conseguem desembarcar o grão a custos inferiores aos custos nacionais e/ou em padrões da qualidade superiores.

A tabela a seguir apresenta o consumo brasileiro de trigo nos últimos 4 períodos:

Produção, Importação e Consumo de Trigo no Brasil
Ano Produção Variação Importação Variação Consumo Variação
(Em Mil Toneladas – ano calendário, exceto porcentagens)
2015/2016 5.540 -7,67% 6.745 25,51% 11.100 3,74%
2016/2017 6.730 21,48% 7.349 8,95% 12.200 9,91%
2017/2018 4.264 -36,64% 7.021 -4,46% 12.000 -1,64%
2018/2019 5.428 27,30% 7.500 6,82% 12.100 0,83%

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA

A produção doméstica continua sendo insuficiente para suprir o consumo. Desta forma, o Brasil ainda é extremamente dependente da importação de trigo em grão, principalmente, da Argentina. A necessidade de importação imputa aos moinhos uma forte vulnerabilidade quanto às oscilações dos preços internacionais da commodity, que absorve a influência de fatores externos, inclusive movimentos especulativos. Atualmente, as importações correspondem a cerca de metade do consumo nacional.

Aspectos Gerais da Concorrência da Indústria de Moagem de Trigo

De acordo com o USDA (United States Department of Agriculture), a produção mundial de trigo referente à safra 2018/2019 foi estimada em março do ano corrente em 733,0 milhões de toneladas, quantidade 3,9% inferior que as 763,1 milhões de toneladas obtidas em 2017/2018. Destacam-se como grandes produtores de trigo, a China, a União Européia, a Índia, a Rússia e os Estados Unidos, sendo os Estados Unidos, a Rússia e o Canadá os maiores exportadores do mundo. O Brasil é classificado entre os 5 maiores importadores do mundo e, em 2018 a Argentina, com base nos
dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Trigo – Abitrigo, foi responsável em fornecer a maior parte da demanda de trigo importada pelos moinhos brasileiros.

As tabelas abaixo mostram os maiores produtores, consumidores e exportadores mundiais de trigo, bem como a produção e consumo do Brasil e da Argentina:

Maiores Produtores Mundiais de Trigo
Ano União Europeia China Índia Estados Unidos Rússia Produção Mundial
(Em Mil Toneladas)
2014/15 156.912 126.208 95.850 55.147 59.080 730.411
2015/16 160.480 130.190 86.530 56.117 61.044 738.417
2016/17 145.248 128.845 87.000 62.832 72.529 756.408
2017/18 151.254 134.334 98.510 47.380 84.992 763.069

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA

Maiores Consumidores Mundiais de Trigo
Ano União Europeia China Índia Rússia Estados Unidos Consumo Mundial
(Em Mil Toneladas)
2014/15 124.677 117.500 93.102 35.500 31.328 700.417
2015/16 129.850 117.500 88.551 37.000 31.944 713.675
2016/17 128.000 119.000 97.120 40.000 31.863 735.420
2017/18 130.400 121.000 95.834 43.000 29.364 742.316

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA

Maiores Exportadores Mundiais de Trigo
Ano Estados Unidos União Europeia Canadá Rússia Ucrânia Exportação Mundial
(Em Mil Toneladas)
2014/15 23.523 35.455 24.170 22.800 11.269 164.229
2015/16 21.168 34.763 22.110 25.543 17.431 172.787
2016/17 28.602 27.426 20.157 27.809 18.107 183.346
2017/18 24.524 23.290 21.954 41.419 17.775 181.230

Fonte: United States Department of Agriculture – USDA

Perspectivas para a Indústria de Moagem de Trigo

AA Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que a área plantada de trigo na safra 2017/2018 apresentou um aumento de 6,6% em relação ao ano anterior, atingindo 2.042,4 mil hectares, e na produção também houve aumento de 27,3% em relação ao ano anterior. A produção atingiu 5.427,60 mil toneladas, contra as 4.253,50 mil toneladas registradas no ano anterior. A previsão apontada quanto à produção em 2019, de acordo com o Boletim de Grãos de fev/2019, é de 5.631 mil toneladas, 3,7% superior ao ano anterior.

O trigo brasileiro sofre concorrência dos subsídios concedidos pela União Europeia, Estados Unidos e Canadá. Na ausência de subsídios, o Brasil seria competitivo neste setor, pois apesar de sofrer com aspectos climáticos, que são menos favoráveis que o clima de outros países, e preços mais caros para alguns insumos, possui mão-de-obra relativamente barata e pode contar com duas safras anuais.

Mercado de trigo

As características desse mercado influenciam diretamente nossos resultados, já que o trigo é a principal matéria-prima utilizada nos moinhos e na fabricação de nossos produtos.

De acordo com o USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a safra 2018/19 está estimada em uma produção mundial de 733,4 milhões de toneladas métricas (MTM), uma redução de 3,9% em relação à safra anterior 2017/18. A redução total de 29,6 MTM ocorre principalmente devido a uma menor produção na Rússia e União Europeia, que obtiveram perdas significativas na safra atual em função das condições climáticas adversas, com quedas de 9% e 17,6%, respectivamente, em sua produção.

Na safra de trigo atual, cerca de 67% da produção mundial deve proceder de quatro países e da União Europeia.

Com a redução na produção mundial de trigo e o leve crescimento do consumo mundial, ocorrerá uma redução de 4,2% nos estoques mundiais, saindo de 280 milhões para 268 milhões de toneladas.

Os estoques finais mundiais estão assim concentrados: China representa 53,6%, os Estados Unidos 9,9%, a Índia 5,5%, a União Europeia 4,2% e Rússia 2%.

A produção de trigo no Brasil ainda é baixa em relação aos principais produtores mundiais.
Segundo estimativa da CONAB – Companhia de Abastecimento Nacional, a produção de trigo no Brasil para 2018/2019 será de 5,4 MTM, representando um aumento de 26,5%
em relação à safra anterior. Enquanto no mundo serão cultivados cerca de 216 milhões de hectares de trigo, no Brasil, este número será de apenas 2 milhões, menos de 1% da área global.

A quantidade e qualidade da produção do trigo brasileiro não são suficientes para o atendimento do mercado consumidor do trigo para moagem. Por este motivo, o volume importado tem se mantido elevado. Segundo dados da CONAB, a moagem da indústria prevista para 2018/2019 é de 10,7 MTM, uma estimativa de consumo igual ao ano anterior.

No período 2018/2019, o Brasil está em 3º lugar no ranking mundial dos importadores de trigo, representando 4,3% da importação mundial.

O trigo consumido no Brasil é importado em maior volume de três países. No mês de dezembro/2018, o volume do cereal importado da Argentina foi de 81,9% do total, enquanto que os Estados Unidos participaram com 8,4% e o Paraguai com 9,6%. Os principais destinos do trigo estrangeiro foram os estados de São Paulo (18,2%), Ceará (16,1%), Bahia (12,9%) e Pernambuco (9,6%).

Segundo dados do USDA, a Argentina deve apresentar na safra atual uma produção
estimada de 19,5 milhões de toneladas, com um rendimento médio de 3.250 kg por hectare.

 

 

 

voltar

topo